sexta-feira, novembro 25, 2005

Não!!!

Ah, não! Eu não agüento! Não consigo mais, não suporto!!!

Louco? Sou! Sou louco, sim, mas ninguém aceita minha loucura! Qual é, hein? Não posso mais ser eu mesmo? Deixe-me em paz!

Não, não dá. Quero ser diferente do que sou, quero ... quero fazer o que eu quero ... não é possível? Será que certas coisas foram simplesmente negadas para mim? Será que devo contentar-me apenas em sentir o dia-a-dia-de-todo-dia? Será que a rotina é bastante?

Não é.

Não que eu não me contente com pouco. Mas ... quero viver de verdade. Até parece que eu vivo numa bolha, que nada jamais poderá me atingir, que meu coração nunca mais se despedaçará.

Coração? Tenho um coração? Quero dizer, será que possuo sentimentos verdadeiros? Será... será que posso dizer que meus sentimentos não estão sendo controlados? Será que eles também não vivem numa bolha, assim como eu?

Quero, sim. Chamem-me de ingrato, se quiserem. De infantil, se acharem conveniente. Sou infantil, também, sou bem criança. Não possuo qualquer tipo de experiência diferente. Não sou nenhum prodígio nem nenhum monge budista. Não tenho a sabedoria absoluta. Não tenho sabedoria. Nem quero ter. Para quê? Para gabar-me dela? Para dizer que sou sábio e que conheço todas as respostas? Que possuo todas as chaves? Não.

Quero falar uma vez na vida. Quero falar e não quero ouvir nada. Não ouço. Ouvir o quê? Ouvir o que não quero que digam? Conselhos? Dispenso-os.

Isso aqui é parte de mim que não revelo. Segredo que não pode existir, mas existe. Tudo o que nunca quis dizer, que sempre escondi dentro de mim. Mas não suporto mais. Preciso revelar, preciso dizer que não obtenho satisfação.

Que todo o amor que possuo é reciclado. Por isso, sempre aumenta. Sempre. Nunca é dado a ninguém, a não ser a mim mesmo. Mesmo assim, só parte pequena dele. Não preciso de amor próprio, tenho o suficiente. Quero amar. Quero fornecer amor, pois é inesgotável. Transforma-se em tristeza, em rancor, em ódio, em ciúme. Transformou-se em tudo. Já virou amizade, felicidade, alegria. Já gerou saúde e saudade. Já provocou vendavais. Mas nunca foi dado, tampouco retribuído a quem não me viu nascer.

Só quero sentir.